sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Imaginação Fértil!

   Ecoam os passos na minha cabeça, um bater do pêndulo do sino enche minha mente e eu fiquei ali no meio da rua a olhar para o portão negro que se apresentava perante mim. Nada fiz, olhei, toquei-lhe e parei de novo como se algo de novo estivesse ali perante mim. Era um portão maior que eu, e eu imaginava-me daquela altura a olhar para baixo. Como seriam as coisas vistas naquela perspectiva? Diferentes de certeza absoluta, tudo que eu vejo visto por outro tem uma perspectiva diferente, isto porque, não se trata da mesma cabeça e pessoa a pensar sobre aquilo que observo. E assim fico eu a observar aquele portão. Mas que estaria aquele portão a guardar? Um jardim imenso com aromas vários pelo qual o meu olfacto iria actuar numa tentativa inútil de distinguir os diferentes cheiros ali presentes? Uma família que me expulsaria imediatamente da frente daquele grande monstro preto? Ou um senhor idoso que me convidaria a beber uma chávena de café e observar a biodiversidade de tudo que me rodeia? Quem sabe o que se apresenta lá por detrás deste grande portão. Eu não sei pelo menos. Mas foi isso que me chamou a atenção! Apesar de ser algo muito vulgar e simples na vida de qualquer pessoa este portão preto fez-me pensar e imaginar muita coisa. Tal como a matemática do simples pode tornar tudo muito complexo este portão pode levar a minha imaginação até aonde eu a deixar ir. Neste momento imagino-me como se fosse uma formiga, poderia passar por debaixo dele e ver finalmente aquilo pelo qual a minha mente anda a tentar descobrir de maneira infinitas. O mundo visto daquele tamanho devia ser fantástico. As flores gigantes, pedras esburacadas e com formas de montanhas perante mim em abundância, joaninhas e sardaniscas de um lado para o outro com as suas formas magnificas como todos os seres deste planeta. Podia ver tudo com muito mais pormenor, coisas que o olhos humano simplesmente não consegue captar. Algo que apenas com instrumentos de amplificação me permitiria observar. Era fantástico conseguir ser um ser tão pequeno nem que fosse durante umas horinhas tal como o consigo ser na minha mente. Claro que também iria sentir dificuldades mas o que me dá ainda mais vontade para ser muito sincero. Ser tão pequeno que uma simples folha servisse para eu andar naqueles pequenos grandes rios de água feitos pela chuva. Enfim, ser um ser minúsculo que me permitisse aprender ver a vida com outros olhos.
   Ver a vida de cima também devia ser interessante, ver montanhas tão pequenas que iriam parecer simples pedras, poder tocar nas nuvens e sentir sua forma gasosa e molhada na minhas mãos, tomar banho no oceano e deitar-me em imensos planaltos e descansar lá. Como seria a vida vista destas e de outras formas? Como seria ver a vida na pele de um africano onde a cultura é completamente diferente? Como seria ver a vida na pele de alguém muito famoso? De alguém que já sofreu demais?  Bem acho que apenas na minha mente consigo descobrir tal feito. Apenas posso pensar nisso enquanto me continuo a perguntar o que se encontra por detrás daquele portão que apresenta perante mim. Começou a chover! Eu tenho o meu guarda chuva na mão mas não o abro. Olho para o céu e imagino como seria cair dali! Cair daquela nuvem acinzentada que permanece por cima de mim. Será que está a chorar? Será que existe algo perante tudo aquilo que a ciência não nos diz? Bem, aqui me encontro a imaginar tudo e nada perante o que na minha vida me chama a atenção a sorrir.

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